No mundo das letras é necessário que por vezes as organizemos em frases... Se elas terão algum sentido ou objetivo isso é outra questão... Sejam todos bem vindos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

quem ou o que somos?


Não somos aquilo que pensamos que somos, mas sim aquilo que os outros pensam que somos. Cada macaco no seu galho, cada índio em sua tribo, cada olho em sua órbita desde que o vizinho esteja sob o campo de visão. Logo não somos o queremos mas o que o vizinho vê, ouve e ousa dizer com ou sem o seu, o meu, o nosso consentimento. Consentimos ser o que o meio que nos cerca permitiu que fossemos. Inconscientemente ou não moldamo-nos de acordo com as possibilidades, ocasiões ou necessidades. Encaixamo-nos onde menos apertado for, e assim ajudamos a edificar um amontoado de pessoas muito parecidas, mas convencidas de que são singulares ou originais. Não, não somos. Pensamos meia dúzia de coisas antes ou depois do primeiro indivíduo que atravessa nosso caminho. Tudo o que pensamos, sofremos, suspeitamos, intuímos ou duvidamos já está escrito, protocolado, catalogado e certamente já foi enviado para algum sebo de alguma cidadezinha do interior do milho da pipoca que comemos a preço de camarão em algum cinema apertado que reprisa esse filme a que todos já vimos. É ou não é?… Não precisa responder que o tempo urge e precisamos discorrer sobre o que já é, não é? Antes de tomarmos as pílulas do despertar e vestirmos nossos penachos coloridos para pular o carnaval antes que o mesmo acabe, é prudente continuar sonhando com o que sonhamos que somos, com a diferença que temos e com o efeito que causamos na bateria desse samba. Se somos o que deixamos de ser sem nunca ter sido, apenas por que já nascemos definidos, não há mal nenhum em fingirmos que estamos entendendo alguma nova coisa. Pintamo-nos, disfarçamo-nos, para esperar por, ou correr para, o único lugar onde acreditamos estar seguros… Os vãos de ar que habitam nossas cabeças feitas. Mas se somos o que dizem por ai que somos, que sejam então o que eu digo que somos: Um amontoado de muita, muita, muita gente que reflete demais, existe demais, come demais e abre pouco buraco para depositar o único bem palpável que produz incessantemente com seu mais íntimo esforço. Durmamos...

domingo, 15 de maio de 2011

às mulheres


Antes de teclar qualquer coisa sobre a mulher, preciso lavar bem as pontas dos meus dedos com sabão, que é pra não contaminar um assunto tão complexo e interessante com a ingenuidade característica do homem quando o assunto é ser gente de verdade. Quando digo gente, estou me referindo a corpos recheados com humanidade. Corpos estes que poderiam vir a ser abrigo do que bem entendessem caso elas não dedicassem sua existência a buscar sempre o aperfeiçoamento do que poderemos chamar um dia, de humano. E assim, começamos a dissertar respeitosamente sobre o que vem a ser o ser que considero a expressão genuína do amor sem ressalvas. Exaltemos...
A elas foi concedido chorar. A elas é concedido amar incondicionalmente. A elas será concedido permanecer quando a guerra chegar. Por quê? Talvez por que deva sempre permanecer a ternura. Talvez por que não precisemos enrijecer quando a intenção for libertar. Talvez por que devamos aprender a sorrir quando a piada faltar. E se cada colher de açúcar disfarçando o amargo do remédio é obra de uma mãe atenta, não precisamos nos dar ao trabalho de responder “porquês” quando delas ousarmos falar. A nós, bastará exaltar, exaltar, exaltar e agradecer tanta dedicação à vida e ao sentido dela por elas empregado. Mas não rasgaremos tanta seda, que é pra não ficarmos sem rima e se todos concordarmos, com as verdades cá de cima, poderemos então quebrar a poesia assim, cuidadosamente, como uma mulher faria, e faremos dessa exaltação, não uma linda homenagem, mas um doce detalhe semeado na rotina. Pois se a elas coube a beleza para acanhar o véu e a doçura para invejar o mel, resta a nós homens, deitarmos o chapéu e reverenciá-las, não somente com o mês de março, mas sim com o ano inteiro. Mesmo que elas sejam inconstantes com suas emoções e destemperem com graça a nossa constância de aparências. Mesmo que elas agridam o silêncio de nossa desatenção com seus agudos poderosos. Mesmo que elas arranquem nossas armaduras em frente ao espelho e mostrem a nós mesmos o quanto somos frágeis e temos vontade de chorar em seus colos. Mesmo que quase sempre a razão esteja com elas nos dias em que a verdade reina. Agradeçamos...
Obrigado você mulher por me ensinar sobre o amor. Obrigado você mulher por me ensinar a transformar ideias e sentimentos em palavras doces e firmes. Obrigado você mulher por ter me libertado ao perceber que sairia de minhas pernas bambas um primeiro passo. Obrigado você mulher por ter me dado o que comer quando nem dentes eu tinha para mastigar ou sorrir. Obrigado você mulher por emprestar seu corpo para que a humanidade permaneça. Obrigado você mulher por ter me dado à luz das estrelas que são vocês em meu universo sempre tão particular. Obrigado...

Caike Luna

mentiras de amor


Outro dia, sem eira nem beira, passou por minha soleira um homem chorando de amor. Tinha os olhos cheios d’água por que havia enchido de mágoa o coração de sua mulher. As pernas não respondiam, os pulmões pouco se enchiam e o homem cambaleou. Sentou, falou bastante do amor que sentia e assim me convenceu de que, chegado esse dia, onde eu deito e vos escrevo, sua história eu contaria. Vou contar meio rimado que é pra não ficar tocado quando da história me lembrar.
Ele amava uma terceira, que ao contrário da primeira, não se comparava à segunda mulher sua. Será conhecida como segunda por que não escutava, não reclamava, não suportava, não esperava e não despertava o que ele sabia que podia oferecer: Amor. A terceira surpreendia, por que com ele aos lugares ia, dançava, se divertia e dizia que “se o prazer está para a companhia assim como o amor está para a alegria”, aquele pareceria, de longe ou mesmo perto, um casal que prometia. Mas não desviemos muito do caso, acentuando a rima vadia, que o amor é caso sério quando impõe aos corações regras de que a alma carece. O homem amava muito, disso ninguém duvidaria, tamanha era sua fragilidade – coisa que ele não entendia – ao deixar cair lágrimas pela mulher que dizia ele amar. O fato é que o homem mentia, e isso de encontro ia à regra que não se quebra, ao doce que não se rouba: A confiança. Por que quem desconfia sofre se ama, e não existe na mesma cama casal que à falta dela não padeça. A mulher ensurdeceu quando o homem empalideceu e disse que não sabia. Na dita ocasião ele não mentira, mas ela por si só descobrira que mesmo em uma verdade a dúvida eclodira. Resumindo, no homem ela não mais confiava e isso é que o matava a cada lágrima que caia. Pois talvez no fundo ele desconfiasse que o amor não é frequentador de sombras. Amor é como a semente de mamona que precisa de sol para estourar. E ele não entendia, apenas desconfiava, que o amor que sentia, a angustia que rondava e a dor que o partia não tinha endereço certo e isso o embaraçava. Era certo que chorava por ela e dizia que a amava.
O homem ama sem saber amar, diz que ama e não sabe escutar o que pede seu coração. Sabe que ama, diz que ama e ama mesmo não duvidemos, mas ama de susto, por que não lhe ensinaram a amar. A mulher ama faz tempo e tem do amor a licença para existir, por que preserva em “si maior” o amor que tem por si. O homem que por aqui passou e chorou, compreendeu quando explicou que a mulher que lhe amou, amou por que confiou em alguém que não se amava. Então ele levantou, foi pra casa, refletiu e entendeu o quanto chorara por si, pelo tempo que passara amando a falta de amor que se dedicava. Hoje em dia não mente mais, pelo menos para si.

sexta-feira, 4 de março de 2011

através do espelho


Através do espelho percebemos refletida, bem a nossa frente, a imagem de alguém que não somos nós. Através do espelho percebemos refletida no aço a imagem de alguém que parece muito conosco, mas que não somos nós. A imagem projetada no espelho nada mais é senão uma projeção do que gostaríamos de ser... Uma sobrancelha levantada, um olhar confiante e um sorriso ensaiado fazem surgir do outro lado desse mesmo espelho o herói que espelhamos ou o ideal que refletimos. Somos refletidos pelo espelho ou somos nós que o refletimos? Penso que o espelho é uma representação física do que é nossa capacidade de refletir o que está a nossa volta. Afinal se para cada situação nos cobramos uma reflexão e para cada complexo exibimos um reflexo, acho prudente cobrirmos hoje os espelhos para falarmos um pouco sobre personagens. Reflitamos... Cada um de nós é um emaranhado de valores, instintos e sentimentos enjaulados dentro de um corpo feito para expressar com moderação essa turbulenta mistura de imagens e sons que vamos coletando durante a vida. O tratamento que dispendemos às pessoas varia de acordo com uma porção de fatores pessoais, morais ou sociais. Traduzindo, cada ação gera uma reação que não necessariamente condiz com aquilo que realmente somos ou gostaríamos de ser. Criamos personagens para tudo e para todos e isso é estar no ato. Isso é ser ator de sua própria novela. Os melhores personagens são obviamente aqueles com os quais nos identificamos ou admiramos e que de preferência estejam sendo interpretados por bons atores. Também existem os personagens de vida própria, que cabem a qualquer ator. Mas para mim, os mais fascinantes são os personagens autorais, ou seja, aqueles que são de propriedade exclusiva do ator que as representa. Personagens que emprestaram tanto de seus atores que fica impossível de imaginar outro ator lhes representando. Citemos na ficção Odete Roitman de Beatriz Segall, Vó Manuela de Fernanda Montenegro, Viúva Porcina de Regina Duarte e Perpétua de Joana Fomm. No mundo real temos Fidel Castro de Fidel Alejandro Castro Ruz, Papa João Paulo II de Karol Józef Wojtyla e Michael Jackson de Michael Joseph Jackson. Em alguma casa normal podemos citar A Moralista de Mamãe, O Machista de Papai, A Desfrutável de Minha Cunhada ou O Palhaço do Meu Primo. Claro que nenhum ator é insubstituível e nenhum desses personagens é ou foi necessariamente um único personagem através do espelho. Como já disse aqui, as reações vem de ações e os personagens brotam das ocasiões... Finalizemos? Se para cada situação nos cobramos uma reflexão e para cada complexo exibimos um reflexo não é crime nenhum vivermos atuando. O crime talvez esteja em levar o personagem pra casa e deixá-lo ser protagonista absoluto de nossa história. Afinal, se todos nós temos espelho em casa é hora de descobri-los e refletirmos sobre qual personagem reflete melhor a nossa imagem.

história pra boi acordar 2


Em nosso último encontro aqui, terminei escrevendo que durante muito tempo o som e a imagem vindos da televisão fizeram do inconsciente coletivo uma cabeça só. Rimos pelos mesmos motivos, choramos com as mesmas músicas, sentimos as mesmas mortes e compramos os mesmos produtos. E que um dia, depois de muito tempo sentimos que a comunicação tinha se tornado mera informação. Verdade? Claro que não. As pessoas continuavam se comunicando mesmo com tantas imagens na televisão. Em menor escala é verdade, mas ainda trocavam um “sim” ou um “não” quando surgia uma questão: “Mãe, posso assistir Malhação?”. “Sim!”. “E Corujão, pai?”. “Ainda não!”. Íamos dormir inconformados sem entender a proibição, já que não tínhamos sono e sim fome de informação. Ou seja, a questão se resumia ao fato de que uma coisa tinha se tornado mais interessante que a outra simplesmente por que nos parecia mais confortável assistir uma profusão de luzes que trocar uma porção de idéias. E assim fomos crescendo e nos deixando educar e condicionar pela possibilidade que nos era oferecida de acompanhar o mundo sentados confortavelmente em nossas poltronas. Sofremos... Nosso sofrimento, em minha opinião, surgiu exatamente da falta de diálogo com a amiga televisão. A tudo assistíamos, mastigávamos e deglutíamos, mas a nada respondíamos. Claro que nem tudo é difícil de engolir como a um sapo gordo, mas se bem nos conheço – e só por isso estamos escrevendo e lendo esse texto – toda boca que se deixa engolir demais é por que tem sede de vomitar. Muito confuso? Eu explico: A comunicação se faz pela troca de informações, quem muito ouve, hora ou outra quer falar, mesmo que ainda sentado em sua poltrona. Vocês me dirão como boi acordando: Hummm. Eis que surge o computador. A princípio tímido, com funções secretas e distantes da nossa inteligência emocional. Para tornar-se meio de comunicação faltava-lhe sangue correndo nas veias... Surgimos então com a uma rede mundial de computadores instantaneamente ligados e espalhados por todo o mundo, chamada Internet, que nos possibilitou ver e mostrar, ouvir e falar, ler e escrever. Hoje em dia se não gostamos da edição fazemos reclamação, se não curtimos a imagem clicamos outro botão, se a televisão fala demais, “cala a boca Galvão!”. Vencemos? Não há competição no que diz respeito a nós mesmos. Estamos sozinhos no universo até que alguns homenzinhos verdes que não sacam nada de comunicação interplanetária pousem na Terra e digam o contrário. Enquanto eles não chegam, essa falta de comparativo fará mesmo com que esqueçamos de que tudo que criamos está aqui em função de nossas necessidades e/ou interesses, basta que saibamos distinguir entre o que queremos e quem realmente somos. (...) “Tô” pegando pesado, não é? Ui, preciso ver mais novela...

história pra boi acordar


Era uma vez um monte de gente perdida num mundo bem grande e cheio de perigos e problemas pra enfrentar. Como nasciam pelados precisavam o mais rápido possível achar soluções para questões simples que com o tempo foram ficando complicadas e assim seguiram evoluindo. Descobriram que se adaptavam fácil por que trocavam figurinhas entre si. Contavam uns aos outros sobre suas experiências e conquistas. Coisas de gente perdida que busca respostas pra tudo. Adoravam falar e trocar informações, tanto, mas tanto que deram a esse fenômeno o nome de comunicação. Inventaram línguas, letras, pontos e vírgulas, puseram tudo em seqüencia e deram às frases significados que não cabiam nas cabeças. Escreveram o preto no branco e saíram comunicando o quanto podiam. Leram muito, leram tudo e assim as idéias eram passadas de olhos a olhos através das folhas dos jornais. Mas ainda era pouco, muito se lia, pouco se ouvia, era uma ou outra letra que não se entendia, era um tom ou um timbre que não se sabia e inventaram assim um aparelho que emitia som. Então um dia, um gaiato chamado Orson disse a revelia que o mundo se perderia invadido por marcianos. Todo mundo acreditou, arrepiou, gritou, e saiu correndo. Foi tanta correria, pânico e gritaria que esse foi o dia em que todos pararam e perceberam que o rádio a muitos atingia. Todo mundo queria, um ou outro não ouvia, mas de uma coisa estavam certos, daquilo muito se lucraria. Surgiram então os anunciantes, que em pouco tempo sentiram necessidade de mais. Ouvir era pouco, falar era bom, mas se o ouvido era mouco, não bastava o som. Por essas alturas a comunicação ainda existia, mas não estava mais na ordem do dia, pois o que prevalecia era o interesse comercial e toda sua histeria e se o som não correspondia às necessidades da freguesia era preciso que se criasse algo que até então em canto nenhum se via. A coisa ia, ia, ia e nada se resolvia, até pensarem que muito se venderia se aos olhos agradassem e assim surgiu a televisão. Tinha som, tinha imagem, tinha movimento e vendagem, mas isso não bastaria para aquele que a assistia, pois cada qual era um só e tinha seus próprios interesses. Emprestou-se então as músicas das orquestras, os atores dos teatros e as cores das telas coloridas, para que todos os desejos fossem realizados e todos os olhos forem agraciados com o vai e vem de luzes. Mas muitas coisas caberiam ainda dentro daquela caixinha mágica para que dela fosse feito o mais poderoso meio de comunicação. Acrescentou-se idéias, sonhos, sorrisos, lágrimas e uma pitada de realidade, que continuaria sendo fragmentada a cada dez minutos por um ou outro reclame publicitário. Foi um sucesso, e durante muito tempo o som e a imagem fizeram do inconsciente coletivo uma cabeça só. Rimos pelos mesmos motivos, choramos com as mesmas músicas, sentimos as mesmas mortes e compramos os mesmos produtos. Mas esse mesmo monte de gente perdida a procura de respostas, um dia, depois de muito tempo sentiu que a comunicação tinha se tornado mera informação. (Continua...) Aguardemos...

etnocentrismo


Calma... Não é preciso medo, pânico ou correria. O palavrão acima será prontamente destrinchado para que não haja dúvidas de que a minha intenção é propor reflexão e não xingar ninguém. Claro que não falarei de nenhuma novidade, pois é fato que nesse mundo tudo já foi estudado, escrito e catalogado, se não por mim, ou por vocês, por algum daqueles carinhas de óculos que criam coisas e ficam ricos. Mas no caso dessa palavra grande não precisaremos ir muito além. Destrinchemos... Para quem ainda não sabe - e não se preocupem pois quase ninguém sabe - o radical "etno" deriva da palavra grega ethos e designa povo, raça ou nação. Centro é centro mesmo e "ismo" sempre tende a ser algo que merece estudo por causar polêmica, digamos assim. Juntando tudo, colocamos o nosso povo, a raça ou a nação no centro de tudo e somamos algo a ser estudado. Organizando o raciocínio,significará, a grosso modo, olhar o próprio umbigo, considerar que ali, naquele buraquinho, encontra-se o centro do universo e definir que tudo que não gira em torno dele é diferente de nós e portanto está errado. Exemplifiquemos? Neste momento, estou numa lan house em Copacabana por que deixei os fios que ligam o meu computador, na casa de uma amiga. Aqui, do meu lado, tem um estrangeiro que não pára de rir alto e tossir sem por a mão na boca. Eu, esquisito que sou, dificilmente rio de alguma coisa e prefiro tossir em casa. Logo, poderia classificá-lo como um “gringo” mal educado e porcalhão, se não estivesse disposto a avaliar bem as diferenças e me colocar no lugar dele. Avaliemos... A lan house é pequena, cheia de gente, carpet de fora a fora, ar condicionado e nenhuma janela. Só um minuto, também preciso tossir! Cof, cof, cof! Pronto. O fato dele não colocar a mão na boca pode se dever ao fato dele estar teclando afoito, muito provavelmente com algum ente querido e distante, e talvez desse encontro saudoso venha a alegria que justifica as risadas altas. Ou seja, querendo, podemos ser queridos e compreensivos uns com os outros sem antes pensar mal da mãe que educou o vizinho. Claro que eu justifiquei da minha maneira o que julgava errado no colega aqui do lado. Mais a fundo justificaria por uma grande diferença de cultura e valores e blá blá blá. Mas esse não é para ser um papo tão profundo assim, então resumindo,etnocentrismo é a dificuldade de pensar a diferença, de ver o mundo com os olhos dos outros; é ter como base a sua cultura, os seus valores e os seus padrões para classificar de maneira preconceituosa o modo de viver do outro. Pronto, falei... Finalizemos? Não importa cor, credo, sexo, roupa, jeito de andar ou de cuspir. Em nenhum momento é necessário que nos corrompamos para permitir que o outro exista, simplesmente por que não precisamos aceitar ou apoiar a diferença, apenas respeitá-la, esteja ela em que contexto estiver. Respeitemos!

sábado, 15 de janeiro de 2011

nem tudo são flores?


Era uma vez um lugar onde só existiam flores. Flores de todos os tipos e tamanhos. De muitas cores e perfumes. As flores menores viviam aos pés das grandes flores, que por sua vez adoravam conversar entre si por cima das outras. Não falavam nada de importante, pois eram flores altas e bobas. Já as pequeninas esperavam o momento certo para falar a coisa certa. Quando falavam, as flores grandes emudeciam, mas logo faziam cara de desdém, como que para se sentirem superiores. Assim, permaneciam em sua estupidez e arrogância. Um dia, uma pequena flor azul de pétalas curtas e redondas conseguiu toda a atenção de que precisava ao soltar uma misteriosa frase: “Vejam pequenas, o que vem a ser a vida para aqueles que pouco vivem ou vivem muitas vezes sem sentir o que de fato é a vida”. Nesta ocasião as flores altas denunciaram através de suas expressões a possibilidade de terem entendido uma ou duas palavras do que havia sido dito pelas pequeninas. Sempre que desdenhavam era certo que não tinham entendido nada. Mas quando em seus rostos era quase possível visualizar um ponto de interrogação, era sinal de que alguma coisa poderia ter entrado naqueles miolos fofos e esfarelantes. É provável que até mesmo algumas dentre as pequenas flores não tenham entendido o que queria dizer a pequena flor azul, sobretudo era visível o incômodo nas flores altas, não por não terem entendido o que dizia aquela pequena insignificante, pois raramente entendiam alguma coisa, mas pela cumplicidade causada entre a maioria das pequenas flores, que esboçavam certos sorrisos de satisfação. Tinham receio de pedir que a pequena flor repetisse seu subjetivo comentário, pois admitiriam assim, que de alguma forma, aquelas pequenas e indesejáveis vizinhas lhes causavam alguma inquietação. Para elas, flores altas e esnobes, aquelas vizinhas baixinhas e franzinas não passavam de ervas daninhas... E talvez elas fossem mesmo, porque esse é bem o tipo de comentário de flor pequena que se acha grande...