No mundo das letras é necessário que por vezes as organizemos em frases... Se elas terão algum sentido ou objetivo isso é outra questão... Sejam todos bem vindos.

domingo, 15 de maio de 2011

mentiras de amor


Outro dia, sem eira nem beira, passou por minha soleira um homem chorando de amor. Tinha os olhos cheios d’água por que havia enchido de mágoa o coração de sua mulher. As pernas não respondiam, os pulmões pouco se enchiam e o homem cambaleou. Sentou, falou bastante do amor que sentia e assim me convenceu de que, chegado esse dia, onde eu deito e vos escrevo, sua história eu contaria. Vou contar meio rimado que é pra não ficar tocado quando da história me lembrar.
Ele amava uma terceira, que ao contrário da primeira, não se comparava à segunda mulher sua. Será conhecida como segunda por que não escutava, não reclamava, não suportava, não esperava e não despertava o que ele sabia que podia oferecer: Amor. A terceira surpreendia, por que com ele aos lugares ia, dançava, se divertia e dizia que “se o prazer está para a companhia assim como o amor está para a alegria”, aquele pareceria, de longe ou mesmo perto, um casal que prometia. Mas não desviemos muito do caso, acentuando a rima vadia, que o amor é caso sério quando impõe aos corações regras de que a alma carece. O homem amava muito, disso ninguém duvidaria, tamanha era sua fragilidade – coisa que ele não entendia – ao deixar cair lágrimas pela mulher que dizia ele amar. O fato é que o homem mentia, e isso de encontro ia à regra que não se quebra, ao doce que não se rouba: A confiança. Por que quem desconfia sofre se ama, e não existe na mesma cama casal que à falta dela não padeça. A mulher ensurdeceu quando o homem empalideceu e disse que não sabia. Na dita ocasião ele não mentira, mas ela por si só descobrira que mesmo em uma verdade a dúvida eclodira. Resumindo, no homem ela não mais confiava e isso é que o matava a cada lágrima que caia. Pois talvez no fundo ele desconfiasse que o amor não é frequentador de sombras. Amor é como a semente de mamona que precisa de sol para estourar. E ele não entendia, apenas desconfiava, que o amor que sentia, a angustia que rondava e a dor que o partia não tinha endereço certo e isso o embaraçava. Era certo que chorava por ela e dizia que a amava.
O homem ama sem saber amar, diz que ama e não sabe escutar o que pede seu coração. Sabe que ama, diz que ama e ama mesmo não duvidemos, mas ama de susto, por que não lhe ensinaram a amar. A mulher ama faz tempo e tem do amor a licença para existir, por que preserva em “si maior” o amor que tem por si. O homem que por aqui passou e chorou, compreendeu quando explicou que a mulher que lhe amou, amou por que confiou em alguém que não se amava. Então ele levantou, foi pra casa, refletiu e entendeu o quanto chorara por si, pelo tempo que passara amando a falta de amor que se dedicava. Hoje em dia não mente mais, pelo menos para si.

Nenhum comentário:

Postar um comentário