Outro dia, sem eira nem beira, passou por minha soleira um homem chorando de amor. Tinha os olhos cheios d’água por que havia enchido de mágoa o coração de sua mulher. As pernas não respondiam, os pulmões pouco se enchiam e o homem cambaleou. Sentou, falou bastante do amor que sentia e assim me convenceu de que, chegado esse dia, onde eu deito e vos escrevo, sua história eu contaria. Vou contar meio rimado que é pra não ficar tocado quando da história me lembrar.
Ele amava uma terceira, que ao contrário da primeira, não se comparava à segunda mulher sua. Será conhecida como segunda por que não escutava, não reclamava, não suportava, não esperava e não despertava o que ele sabia que podia oferecer: Amor. A terceira surpreendia, por que com ele aos lugares ia, dançava, se divertia e dizia que “se o prazer está para a companhia assim como o amor está para a alegria”, aquele pareceria, de longe ou mesmo perto, um casal que prometia. Mas não desviemos muito do caso, acentuando a rima vadia, que o amor é caso sério quando impõe aos corações regras de que a alma carece. O homem amava muito, disso ninguém duvidaria, tamanha era sua fragilidade – coisa que ele não entendia – ao deixar cair lágrimas pela mulher que dizia ele amar. O fato é que o homem mentia, e isso de encontro ia à regra que não se quebra, ao doce que não se rouba: A confiança. Por que quem desconfia sofre se ama, e não existe na mesma cama casal que à falta dela não padeça. A mulher ensurdeceu quando o homem empalideceu e disse que não sabia. Na dita ocasião ele não mentira, mas ela por si só descobrira que mesmo em uma verdade a dúvida eclodira. Resumindo, no homem ela não mais confiava e isso é que o matava a cada lágrima que caia. Pois talvez no fundo ele desconfiasse que o amor não é frequentador de sombras. Amor é como a semente de mamona que precisa de sol para estourar. E ele não entendia, apenas desconfiava, que o amor que sentia, a angustia que rondava e a dor que o partia não tinha endereço certo e isso o embaraçava. Era certo que chorava por ela e dizia que a amava.
O homem ama sem saber amar, diz que ama e não sabe escutar o que pede seu coração. Sabe que ama, diz que ama e ama mesmo não duvidemos, mas ama de susto, por que não lhe ensinaram a amar. A mulher ama faz tempo e tem do amor a licença para existir, por que preserva em “si maior” o amor que tem por si. O homem que por aqui passou e chorou, compreendeu quando explicou que a mulher que lhe amou, amou por que confiou em alguém que não se amava. Então ele levantou, foi pra casa, refletiu e entendeu o quanto chorara por si, pelo tempo que passara amando a falta de amor que se dedicava. Hoje em dia não mente mais, pelo menos para si.
O homem ama sem saber amar, diz que ama e não sabe escutar o que pede seu coração. Sabe que ama, diz que ama e ama mesmo não duvidemos, mas ama de susto, por que não lhe ensinaram a amar. A mulher ama faz tempo e tem do amor a licença para existir, por que preserva em “si maior” o amor que tem por si. O homem que por aqui passou e chorou, compreendeu quando explicou que a mulher que lhe amou, amou por que confiou em alguém que não se amava. Então ele levantou, foi pra casa, refletiu e entendeu o quanto chorara por si, pelo tempo que passara amando a falta de amor que se dedicava. Hoje em dia não mente mais, pelo menos para si.
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