No mundo das letras é necessário que por vezes as organizemos em frases... Se elas terão algum sentido ou objetivo isso é outra questão... Sejam todos bem vindos.

sábado, 15 de janeiro de 2011

nem tudo são flores?


Era uma vez um lugar onde só existiam flores. Flores de todos os tipos e tamanhos. De muitas cores e perfumes. As flores menores viviam aos pés das grandes flores, que por sua vez adoravam conversar entre si por cima das outras. Não falavam nada de importante, pois eram flores altas e bobas. Já as pequeninas esperavam o momento certo para falar a coisa certa. Quando falavam, as flores grandes emudeciam, mas logo faziam cara de desdém, como que para se sentirem superiores. Assim, permaneciam em sua estupidez e arrogância. Um dia, uma pequena flor azul de pétalas curtas e redondas conseguiu toda a atenção de que precisava ao soltar uma misteriosa frase: “Vejam pequenas, o que vem a ser a vida para aqueles que pouco vivem ou vivem muitas vezes sem sentir o que de fato é a vida”. Nesta ocasião as flores altas denunciaram através de suas expressões a possibilidade de terem entendido uma ou duas palavras do que havia sido dito pelas pequeninas. Sempre que desdenhavam era certo que não tinham entendido nada. Mas quando em seus rostos era quase possível visualizar um ponto de interrogação, era sinal de que alguma coisa poderia ter entrado naqueles miolos fofos e esfarelantes. É provável que até mesmo algumas dentre as pequenas flores não tenham entendido o que queria dizer a pequena flor azul, sobretudo era visível o incômodo nas flores altas, não por não terem entendido o que dizia aquela pequena insignificante, pois raramente entendiam alguma coisa, mas pela cumplicidade causada entre a maioria das pequenas flores, que esboçavam certos sorrisos de satisfação. Tinham receio de pedir que a pequena flor repetisse seu subjetivo comentário, pois admitiriam assim, que de alguma forma, aquelas pequenas e indesejáveis vizinhas lhes causavam alguma inquietação. Para elas, flores altas e esnobes, aquelas vizinhas baixinhas e franzinas não passavam de ervas daninhas... E talvez elas fossem mesmo, porque esse é bem o tipo de comentário de flor pequena que se acha grande...