Era uma vez um monte de gente perdida num mundo bem grande e cheio de perigos e problemas pra enfrentar. Como nasciam pelados precisavam o mais rápido possível achar soluções para questões simples que com o tempo foram ficando complicadas e assim seguiram evoluindo. Descobriram que se adaptavam fácil por que trocavam figurinhas entre si. Contavam uns aos outros sobre suas experiências e conquistas. Coisas de gente perdida que busca respostas pra tudo. Adoravam falar e trocar informações, tanto, mas tanto que deram a esse fenômeno o nome de comunicação. Inventaram línguas, letras, pontos e vírgulas, puseram tudo em seqüencia e deram às frases significados que não cabiam nas cabeças. Escreveram o preto no branco e saíram comunicando o quanto podiam. Leram muito, leram tudo e assim as idéias eram passadas de olhos a olhos através das folhas dos jornais. Mas ainda era pouco, muito se lia, pouco se ouvia, era uma ou outra letra que não se entendia, era um tom ou um timbre que não se sabia e inventaram assim um aparelho que emitia som. Então um dia, um gaiato chamado Orson disse a revelia que o mundo se perderia invadido por marcianos. Todo mundo acreditou, arrepiou, gritou, e saiu correndo. Foi tanta correria, pânico e gritaria que esse foi o dia em que todos pararam e perceberam que o rádio a muitos atingia. Todo mundo queria, um ou outro não ouvia, mas de uma coisa estavam certos, daquilo muito se lucraria. Surgiram então os anunciantes, que em pouco tempo sentiram necessidade de mais. Ouvir era pouco, falar era bom, mas se o ouvido era mouco, não bastava o som. Por essas alturas a comunicação ainda existia, mas não estava mais na ordem do dia, pois o que prevalecia era o interesse comercial e toda sua histeria e se o som não correspondia às necessidades da freguesia era preciso que se criasse algo que até então em canto nenhum se via. A coisa ia, ia, ia e nada se resolvia, até pensarem que muito se venderia se aos olhos agradassem e assim surgiu a televisão. Tinha som, tinha imagem, tinha movimento e vendagem, mas isso não bastaria para aquele que a assistia, pois cada qual era um só e tinha seus próprios interesses. Emprestou-se então as músicas das orquestras, os atores dos teatros e as cores das telas coloridas, para que todos os desejos fossem realizados e todos os olhos forem agraciados com o vai e vem de luzes. Mas muitas coisas caberiam ainda dentro daquela caixinha mágica para que dela fosse feito o mais poderoso meio de comunicação. Acrescentou-se idéias, sonhos, sorrisos, lágrimas e uma pitada de realidade, que continuaria sendo fragmentada a cada dez minutos por um ou outro reclame publicitário. Foi um sucesso, e durante muito tempo o som e a imagem fizeram do inconsciente coletivo uma cabeça só. Rimos pelos mesmos motivos, choramos com as mesmas músicas, sentimos as mesmas mortes e compramos os mesmos produtos. Mas esse mesmo monte de gente perdida a procura de respostas, um dia, depois de muito tempo sentiu que a comunicação tinha se tornado mera informação. (Continua...) Aguardemos...
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