Em nosso último encontro aqui, terminei escrevendo que durante muito tempo o som e a imagem vindos da televisão fizeram do inconsciente coletivo uma cabeça só. Rimos pelos mesmos motivos, choramos com as mesmas músicas, sentimos as mesmas mortes e compramos os mesmos produtos. E que um dia, depois de muito tempo sentimos que a comunicação tinha se tornado mera informação. Verdade? Claro que não. As pessoas continuavam se comunicando mesmo com tantas imagens na televisão. Em menor escala é verdade, mas ainda trocavam um “sim” ou um “não” quando surgia uma questão: “Mãe, posso assistir Malhação?”. “Sim!”. “E Corujão, pai?”. “Ainda não!”. Íamos dormir inconformados sem entender a proibição, já que não tínhamos sono e sim fome de informação. Ou seja, a questão se resumia ao fato de que uma coisa tinha se tornado mais interessante que a outra simplesmente por que nos parecia mais confortável assistir uma profusão de luzes que trocar uma porção de idéias. E assim fomos crescendo e nos deixando educar e condicionar pela possibilidade que nos era oferecida de acompanhar o mundo sentados confortavelmente em nossas poltronas. Sofremos... Nosso sofrimento, em minha opinião, surgiu exatamente da falta de diálogo com a amiga televisão. A tudo assistíamos, mastigávamos e deglutíamos, mas a nada respondíamos. Claro que nem tudo é difícil de engolir como a um sapo gordo, mas se bem nos conheço – e só por isso estamos escrevendo e lendo esse texto – toda boca que se deixa engolir demais é por que tem sede de vomitar. Muito confuso? Eu explico: A comunicação se faz pela troca de informações, quem muito ouve, hora ou outra quer falar, mesmo que ainda sentado em sua poltrona. Vocês me dirão como boi acordando: Hummm. Eis que surge o computador. A princípio tímido, com funções secretas e distantes da nossa inteligência emocional. Para tornar-se meio de comunicação faltava-lhe sangue correndo nas veias... Surgimos então com a uma rede mundial de computadores instantaneamente ligados e espalhados por todo o mundo, chamada Internet, que nos possibilitou ver e mostrar, ouvir e falar, ler e escrever. Hoje em dia se não gostamos da edição fazemos reclamação, se não curtimos a imagem clicamos outro botão, se a televisão fala demais, “cala a boca Galvão!”. Vencemos? Não há competição no que diz respeito a nós mesmos. Estamos sozinhos no universo até que alguns homenzinhos verdes que não sacam nada de comunicação interplanetária pousem na Terra e digam o contrário. Enquanto eles não chegam, essa falta de comparativo fará mesmo com que esqueçamos de que tudo que criamos está aqui em função de nossas necessidades e/ou interesses, basta que saibamos distinguir entre o que queremos e quem realmente somos. (...) “Tô” pegando pesado, não é? Ui, preciso ver mais novela...
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