No mundo das letras é necessário que por vezes as organizemos em frases... Se elas terão algum sentido ou objetivo isso é outra questão... Sejam todos bem vindos.

domingo, 15 de maio de 2011

às mulheres


Antes de teclar qualquer coisa sobre a mulher, preciso lavar bem as pontas dos meus dedos com sabão, que é pra não contaminar um assunto tão complexo e interessante com a ingenuidade característica do homem quando o assunto é ser gente de verdade. Quando digo gente, estou me referindo a corpos recheados com humanidade. Corpos estes que poderiam vir a ser abrigo do que bem entendessem caso elas não dedicassem sua existência a buscar sempre o aperfeiçoamento do que poderemos chamar um dia, de humano. E assim, começamos a dissertar respeitosamente sobre o que vem a ser o ser que considero a expressão genuína do amor sem ressalvas. Exaltemos...
A elas foi concedido chorar. A elas é concedido amar incondicionalmente. A elas será concedido permanecer quando a guerra chegar. Por quê? Talvez por que deva sempre permanecer a ternura. Talvez por que não precisemos enrijecer quando a intenção for libertar. Talvez por que devamos aprender a sorrir quando a piada faltar. E se cada colher de açúcar disfarçando o amargo do remédio é obra de uma mãe atenta, não precisamos nos dar ao trabalho de responder “porquês” quando delas ousarmos falar. A nós, bastará exaltar, exaltar, exaltar e agradecer tanta dedicação à vida e ao sentido dela por elas empregado. Mas não rasgaremos tanta seda, que é pra não ficarmos sem rima e se todos concordarmos, com as verdades cá de cima, poderemos então quebrar a poesia assim, cuidadosamente, como uma mulher faria, e faremos dessa exaltação, não uma linda homenagem, mas um doce detalhe semeado na rotina. Pois se a elas coube a beleza para acanhar o véu e a doçura para invejar o mel, resta a nós homens, deitarmos o chapéu e reverenciá-las, não somente com o mês de março, mas sim com o ano inteiro. Mesmo que elas sejam inconstantes com suas emoções e destemperem com graça a nossa constância de aparências. Mesmo que elas agridam o silêncio de nossa desatenção com seus agudos poderosos. Mesmo que elas arranquem nossas armaduras em frente ao espelho e mostrem a nós mesmos o quanto somos frágeis e temos vontade de chorar em seus colos. Mesmo que quase sempre a razão esteja com elas nos dias em que a verdade reina. Agradeçamos...
Obrigado você mulher por me ensinar sobre o amor. Obrigado você mulher por me ensinar a transformar ideias e sentimentos em palavras doces e firmes. Obrigado você mulher por ter me libertado ao perceber que sairia de minhas pernas bambas um primeiro passo. Obrigado você mulher por ter me dado o que comer quando nem dentes eu tinha para mastigar ou sorrir. Obrigado você mulher por emprestar seu corpo para que a humanidade permaneça. Obrigado você mulher por ter me dado à luz das estrelas que são vocês em meu universo sempre tão particular. Obrigado...

Caike Luna

mentiras de amor


Outro dia, sem eira nem beira, passou por minha soleira um homem chorando de amor. Tinha os olhos cheios d’água por que havia enchido de mágoa o coração de sua mulher. As pernas não respondiam, os pulmões pouco se enchiam e o homem cambaleou. Sentou, falou bastante do amor que sentia e assim me convenceu de que, chegado esse dia, onde eu deito e vos escrevo, sua história eu contaria. Vou contar meio rimado que é pra não ficar tocado quando da história me lembrar.
Ele amava uma terceira, que ao contrário da primeira, não se comparava à segunda mulher sua. Será conhecida como segunda por que não escutava, não reclamava, não suportava, não esperava e não despertava o que ele sabia que podia oferecer: Amor. A terceira surpreendia, por que com ele aos lugares ia, dançava, se divertia e dizia que “se o prazer está para a companhia assim como o amor está para a alegria”, aquele pareceria, de longe ou mesmo perto, um casal que prometia. Mas não desviemos muito do caso, acentuando a rima vadia, que o amor é caso sério quando impõe aos corações regras de que a alma carece. O homem amava muito, disso ninguém duvidaria, tamanha era sua fragilidade – coisa que ele não entendia – ao deixar cair lágrimas pela mulher que dizia ele amar. O fato é que o homem mentia, e isso de encontro ia à regra que não se quebra, ao doce que não se rouba: A confiança. Por que quem desconfia sofre se ama, e não existe na mesma cama casal que à falta dela não padeça. A mulher ensurdeceu quando o homem empalideceu e disse que não sabia. Na dita ocasião ele não mentira, mas ela por si só descobrira que mesmo em uma verdade a dúvida eclodira. Resumindo, no homem ela não mais confiava e isso é que o matava a cada lágrima que caia. Pois talvez no fundo ele desconfiasse que o amor não é frequentador de sombras. Amor é como a semente de mamona que precisa de sol para estourar. E ele não entendia, apenas desconfiava, que o amor que sentia, a angustia que rondava e a dor que o partia não tinha endereço certo e isso o embaraçava. Era certo que chorava por ela e dizia que a amava.
O homem ama sem saber amar, diz que ama e não sabe escutar o que pede seu coração. Sabe que ama, diz que ama e ama mesmo não duvidemos, mas ama de susto, por que não lhe ensinaram a amar. A mulher ama faz tempo e tem do amor a licença para existir, por que preserva em “si maior” o amor que tem por si. O homem que por aqui passou e chorou, compreendeu quando explicou que a mulher que lhe amou, amou por que confiou em alguém que não se amava. Então ele levantou, foi pra casa, refletiu e entendeu o quanto chorara por si, pelo tempo que passara amando a falta de amor que se dedicava. Hoje em dia não mente mais, pelo menos para si.