A
pior e mais patética de todas as tragédias no que diz respeito às relações
humanas, talvez seja mesmo o mal entendido, quando são abalados os pilares da
ponte em função do que não se pôde compreender. De coisa mal entendida, sai
comida mal digerida, tiro no ouvido, porta batida ou mesmo um pescoço torcido.
Mas talvez, como fica explícito num simples passar de olhos sobre as
palavrinhas que se juntaram, o caso foi mesmo mal entendido... Não se
entenderam. Cada um pensou em si. Só. E ao que me compete, quando não
entendemos ou não somos entendidos, é porque não conhecemos. Simples. Não
existe, no fundo de cada interesse, certo ou errado, bem ou mal, existem os
olhos nos olhos. Assim como, no raso, existem os olhos desviados por medo de
entender, logo, não existe o mal entendido... Existe o não entendido, o não
conversado, o não explicado e a ânsia de ser compreendido mesmo sem estar
exposto e disposto o suficiente para ser engolido. Mas essa é uma carência
generalizada e encrostada no simples fato de ser gente afim de ser amada. Eu
entendo, mas não incentivo a incompreensão dos que não fazem a menor questão de
entender que a vida é de longe, uma sobreposição de pequenas coisas
incompreensíveis... Logo, na bifurcação a frente, cada um que pegue suas cores
e dores e siga o seu caminho de certezas e caprichos, para que continuem
entendendo de coisa nenhuma e assim não se darão ao luxo do sofrimento pelo
desentendimento.
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